Final de outono em Montes Claros, 22ºC, eram quase 18 horas quando uma motocicleta trafegava pela avenida do Córrego Bicano, no bairro Vila Campos. Pilotada por uma mulher na faixa dos 40 anos, a motocicleta de baixa cilindrada também transportava uma criança de 10 anos. De repente, o passeio é interrompido, assim como a vida da mulher. Até quando o lazer de alguns pode colocar em risco a vida de outros?

Entre os dias 4 e 8 de junho, em pouco mais de 96 horas, o SAMU Macro Norte atendeu em sua área de cobertura, em três oportunidades, vítimas de acidentes que envolviam motocicletas e linhas de pipa com a chamada linha chilena, que é uma mistura que atribui à linha da pipa a capacidade de cortar a linha de um adversário ou qualquer objeto em que toque. Em dois destes acidentes, as vítimas não sobreviveram aos ferimentos causados pela “brincadeira”.

Enfermeira do SAMU Macro Norte desde 2009, Dianne Leite atendeu à ocorrência desta segunda-feira, 8, que deu início à matéria e que deixou uma criança órfã de mãe. “Todas as vezes que as pessoas me conhecem e descobrem que trabalho no SAMU, a primeira pergunta que elas me fazem é: qual foi a ocorrência que mais me emocionou. E de 11 anos de SAMU… foi essa de hoje em que uma linha chilena cortou o pescoço de uma mãe de família e o filho estava na garupa”, descreve. “A linha chilena pode até derrubar um helicóptero”, continua a profissional da saúde que também atua na aeronave e que lamenta profundamente a falta de conscientização e de responsabilidade de algumas pessoas.

A diretora executiva do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência do Norte de Minas (Cisrun), Kely Cristina de Moura Lacerda, lembra que, nesse período, em virtude da pandemia de coronavírus, as escolas não estão com suas atividades normais o que deixaria as crianças e os adolescentes com mais tempo livre, mas que é necessário que pais e responsáveis os instruam sobre os riscos da utilização da linha chilena. “Soltar pipa é uma brincadeira saudável e divertida, mas deve-se preferir locais abertos, sem fiação elétrica e nunca usar linha chilena ou cerol”, orienta a diretora do órgão que faz a gestão do SAMU Macro Norte.  

Por Jane Felix
Assessora de Comunicação
SAMU Macro Norte
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